Não se passa um dia sequer sem que o Oriente Médio ocupe espaço nos noticiários. Atentados de grupos terroristas, assassinatos de líderes políticos e religiosos, bombas, acordos de paz fracassados. Temas como estes, sempre nas manchetes, levam à fácil conclusão de que a região é um verdadeiro barril de pólvora. Mas qual a razão desse dia-a-dia conflituoso? Por que alguns povos da região se odeiam tanto? Quem são essas pessoas? Afinal, onde fica e o que é o Oriente Médio?
Antes de mais nada, é importante destacar que não há consenso entre historiadores e geógrafos acerca de quais países integram o Oriente Médio, essencialmente a parte de terra entre chamado de Oriente Próximo - nome dado por ingleses e franceses à parte da Ásia menos distante de Londres e Paris - e o Extremo Oriente (Leste Asiático). Porém, a maioria dos estudiosos considera como parte da região todos os Estados asiáticos mais próximos da Europa, além de Turquia e seis nações do nordeste da África.
Pode-se dizer, assim, que 20 países integram o Oriente Médio: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iêmen, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria e Turquia, além dos africanos Egito, Sudão, Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos.
VOCÊ SABIA QUE...
O Oriente Médio é do mesmo tamanho do Canadá (9,702 milhões de quilômetros quadrados), com um território praticamente todo desértico. A temperatura, durante o ano, pode variar entre 46º C no pico de calor e 18º C abaixo de zero nos dias mais frios. Os cerca de 350 milhões de habitantes da região vivem, basicamente, nos vales dos rios, das montanhas e nas costas marítimas, banhadas pelo mar Negro, mar Mediterrâneo, mar Vermelho, golfo de Aden, mar de Omã, golfo Pérsico e mar Cáspio.
Apesar dos árabes serem maioria, o grande número de etnias que o Oriente Médio reúne resulta também numa mistura de idiomas (árabe, hebraico, persa, curdo, grego etc.), crenças, religiões e valores. Isso ajuda a aumentar os conflitos.
No que diz respeito ao aspecto religioso, o Oriente Médio é importante por ser o berço das três religiões monoteístas do planeta: o
judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Jerusalém é a cidade sagrada para os judeus, islâmicos e católicos.
Fonte: World Christian Encyclopedia, de David B. Barrett
Essas nações tinham outros nomes e fronteiras na época do imperialismo mesopotâmico, persa e romano, na Antigüidade. Já na Idade Moderna, a região ficou submetida ao chamado Império Turco-Otomano para, depois da Primeira Guerra Mundial, dividir-se sob a influência da Grã-Bretanha e da França.
Desde dessa última época, quando começaram a se delinear fronteiras, tornaram-se evidentes os conflitos sociais, políticos e religiosos, além da disputa territorial. Sem identidade própria, e sem ter mais a quem responder, os povos, em sua maioria árabes, passaram a buscar espaço e direitos, originando diversos confrontos.
No entanto, segundo destaca o professor de Teoria Política dos cursos de Comunicação Social do Centro Universitário Municipal de São Caetano (IMES), Fernando Luiz, essa "idéia" de classificar a região do Oriente Médio como "tensa além do normal" é dos ocidentais.
"A tensão naquela região e em outras partes do mundo é histórica, tem motivos religiosos, mas antecede a era Cristã. A verdade é que nossa violência, com crianças de ruas e o tráfico de drogas, só é diferente, nem melhor nem pior", explica Fernando.
Portanto, a motivação religiosa existe, mas é muito simplista achar que ela é a única. Os conflitos, hoje, têm a ver com as conseqüências da descolonização (França e Grã-Bretanha) e as influências ocidentais. Os países do Oriente Médio são, em sua maioria, países em desenvolvimento, com grandes desafios a superar, injustiças sociais e discordâncias internas.
O principal conflito no Oriente Médio se dá entre palestinos e israelenses (saiba mais sobre o conflito israelo-palestino), e mistura disputas territorial e religiosa. Em um dos lados estão os palestinos muçulmanos (há palestinos de outras religiões), que querem todas as terras sagradas ocupadas por Israel para o Islã. Do outro, os israelenses judeus (também existem israelenses cristãos), que não querem abrir mão das terras reivindicadas pela Palestina.
Ajuda a esclarecer o nível de tensão do Oriente Médio dados do Banco Mundial. De acordo com a instituição financeira, das 14 nações do mundo que gastam mais de 5% do PIB (Produto Interno Bruto, as somas das riquezas de um país) - valor considerado altíssimo - com militarismo, sete estão no Oriente Médio. Outros números revelam que os 20 países encravados no Oriente Médio compraram 40% de toda a produção de armas dos Estados Unidos em 2001. O que isso significa? Evidencia o clima de tensão, afinal, o Oriente Médio é a região mais militarizada do mundo. Com exceção de Israel e Turquia, todos os seus países não são democráticos, têm ditaduras ou governos autoritários. Poucos comercializam entre si e poucos têm uma identidade coletiva que una seus cidadãos.
A INFLUÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS
O professor de Teoria Política dos cursos de Comunicação Social do Centro Universitário Municipal de São Caetano (IMES), Fernando Luiz, destaca que é simplesmente "impossível dissociar", hoje em dia, a realidade política do Oriente Médio dos interesses dos Estados Unidos.
"O local se tornou influência norte-americana principalmente por conta da estratégia que visa a transformação de petróleo. O produto que transforma guerras locais em conflitos de interesse mundial", avalia.
Atualmente, o Oriente Médio reúne 70% das reservas mundiais do óleo. Os poços da região abastecem mais da metade das bombas de gasolina nos EUA. (Leia mais sobre o petróleo)
Rica miséria
Fora os conflitos étnicos e religiosos, a falta de dinheiro quase unânime agrava as diferenças sociais e estimula a revolta popular. Israel, com sua mesada anual dos EUA de US$ 3 bilhões, é o país mais rico, cuja renda per capita (por pessoa) ultrapassa os US$ 18 mil. Na outra ponta estão nações como o Iêmen, com renda inferior a US$ 350. Ainda segundo o Banco Mundial, metade dos países do Oriente Médio está entre os 30 mais pobres do mundo. Em quase todos esses países se tentou o desenvolvimento econômico através dos Estados e houve fracasso.
A pobreza, cada vez maior, faz com que milhões migrem todos os anos do campo para as cidades a procura de trabalho e oportunidades. Porém, não acham empregos. Em países mais ricos, a exemplo da Arábia Saudita, os mais abonados viajam para fora para estudar, mas ao retornarem à terra natal não encontram oportunidades.
Surpreendentemente, o Oriente Médio é literalmente um terreno rico. Estão na região 70% das jazidas de petróleo (leia mais sobre o petróleo da região) do mundo, produto que, hoje, é fundamental para o bom funcionamento de qualquer economia. Mas os petrodólares geralmente ficam concentrados nas mãos dos monarcas e outros dirigentes dos países
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