O mundo está em alerta com a mais recente decisão tomada pelo polêmico presidente boliviano Evo Morales. No último 1.º de maio, ele decretou a nacionalização dos recursos de hidrocarbonetos existentes em seu país. Isso significa que o governo boliviano tomou posse de todas as instalações destinadas à extração de petróleo e gás natural que se encontram na Bolívia.
As instalações das companhias que se negarem a obedecer a essas ordens serão desapropriadas e controladas pelo governo.
Morales acredita que, com essa medida, vai contribuir para a melhoria das condições socioeconômicas do país. As reservas de petróleo e gás são a principal riqueza do povo, que é um dos mais pobres da América do Sul — tem o menor índice de desenvolvimento humano da região. A Bolívia, que normalmente tem sua imagem associada à produção de coca, passou por um processo de erradicação de suas plantações em 1993, durante o governo de Gonzalo Sánchez de Lozada, mas faltaram investimentos para redirecionar os trabalhadores do campo a outras áreas, o que gerou uma grande onda de miséria e violência.
A nacionalização dos hidrocarbonetos foi uma das principais promessas de campanha de Morales, que é o primeiro presidente indígena do país - cuja população é 65% indígena. Ele defende também a plantação de coca, apesar de ser claramente contra o narcotráfico.
Uma das empresas mais afetadas com a mudança é a Petrobras. Ela é hoje a maior companhia a atuar naquele país:
- é responsável por 20% dos investimentos diretos e por 18% do produto interno bruto (PIB);
- detém 46% das reservas de gás natural;
- produz toda a gasolina e óleo diesel usados na Bolívia.
A produção de gás vinda da Bolívia representa 50% do consumo brasileiro, mas as mudanças não devem afetar o abastecimento por aqui. A Petrobras já anunciou que deve permanecer no país, apesar das restrições impostas por Morales, e o governo boliviano garantiu que vai continuar exportando gás para o Brasil, mas avisou que os preços vão aumentar.

Até este momento, o Brasil tinha mantido relações diplomáticas com a Bolívia e até mesmo luta pelo perdão da dívida externa do país de Morales. Agora, na opinião do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, o país precisa reagir de forma dura contra o decreto, recorrendo a todos os meios possíveis para reaver os ativos da empresa por lá. Já o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, defende uma solução diplomática, enquanto Silas Rondeau, de Minas e Energia, apenas classificou a medida como um “rompimento”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira, após reunião com os ministros, que reconhece a soberania do estado boliviano e que, portanto, respeita suas decisões, mas que pretende ser firme durante as negociações de valores, minimizando as perdas brasileiras com a mudança. A segurança energética da América do Sul será tema de uma reunião com os presidentes Evo Morales, Luiz Inácio Lula da Silva, Nestor Kirchner (Argentina) e Hugo Chávez (Venezuela), a ser realizada nesta quinta-feira, 4 de maio, em Foz do Iguaçu.