A usina Belo Monte será construída no Rio Xingu, estado do Pará, ainda em 2010. A previsão feita pelo ministro das minas e energias, Márcio Zimmerman, vai de encontro às manifestações realizadas por organizações não governamentais que afirmam que os impactos ambientais e sociais causados pela usina estão sendo ignorados pelas autoridades. Em contrapartida, o governo adota a usina Belo Monte como projeto prioritário no setor de energia, pois a mesma que deverá entrar em funcionamento até 2015, beneficiará mais de 26 milhões de brasileiros.
Instalada no Pará, mais especificamente na região de Volta Grande do rio Xingu, a Belo Monte será a terceira a nível mundial e terá uma capacidade de geração energética suficiente para atender milhares de famílias brasileiras. A obra, que tem previsão para ser finalizada em 2019, custará no total cerca deR$ 19 bilhões, o que pode ser visto como exagero para alguns, significa oportunidades para outros, pois com a construção da hidrelétrica, serão gerados por volta de 18 mil empregos diretos, além de mais 23 mil indiretos.
Do ponto de vista ambiental, a usina Belo Monte é vista como maus olhos por ambientalistas, pois a mesma deverá interromper o rio Xingu em um determinado trecho, prejudicando assim a vazão desse rio. Outro ponto que merece destaque é o que alguns estudiosos da área relatam: a vazão do rio Xingu é irregular e insuficiente para suprir uma usina deste porte e por isso a mesma não teria condições de fornecer a quantidade de energia que está sendo esperada.
Entretanto, independentemente dos estudos, discussões e manifestações sobre o assunto, a usina Belo Monte vai ser construída na área e com as dimensões pré – determinadas, neste caso só nos resta esperar e torcer para que as mudanças ambientais que serão provocadas com este projeto, não causem um prejuízo ainda maior.
O projeto de construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte surgiu há mais de trinta anos, ainda no período de ditadura militar. O projeto foi engavetado em 1989, sob pressões de grupos indígenas liderados pelo cacique Raoni e o cantor Sting, ex-vocalista da banda “The Police”.

A hidrelétrica de Belo Monte possuirá uma capacidade para abastecer mais de 26 milhões de habitantes. A construção da hidrelétrica ocupará as regiões dos municípios paraenses de Altamira, Anapu, Brasil Novo, Senador José Porfírio e Vitório do Xingu.
O lago gerado pela usina terá 516 km² de área, inundando 51.600 hectares de floresta, deixará submerso parte do Xingu (Volta Grande) e um terço de Altamira. A instalação da usina desalojará mais de 20 mil pessoas, mas gerará cerca de 80.000 postos de trabalho na sua construção.
Estima-se que a hidrelétrica de Belo Monte produzirá 11.233 MW de energia em épocas de cheias, que compreendem a quatro meses ao ano, e 4.000 MW nas épocas de baixa.
Segundo a professora Sônia Barbosa Magalhães, da Universidade Federal do Pará, em análise crítica ao Estudo de Impacto Ambiental (EIMA-RIMA) de Belo Monte, a obra gerará sérias consequências:
- Inundação constante dos igarapés de Altamira, no lugar da inundação sazonal;
- Redução da vazão da água e bloqueio do transporte fluvial até o Rio Bacajá;
- Remanejamento de famílias locais;
- Alteração do regime do rio relacionado aos meios bióticos e socioeconômicos;
Segundo a ONG WWF , a construção da hidrelétrica de Belo Monte poderia ser substituída pela repotencialização das usinas já existentes no país, pela redução do desperdício no sistema de distribuição elétrica, além de investimentos em fontes limpas de energia.
O leilão da construção da usina gerou protestos de grupos indígenas, do Movimento Nacional dos Atingidos por Barragens, com a participação do diretor do filme Avatar, o cineasta canadense James Cameron.
A barragem principal da Usina de Belo Monte será construída no Rio Xingu, a 40 km da cidade de Altamira. O projeto prevê a construção de duas casas de força, a principal será instalada no Sítio Belo Monte e a secundária junto ao Reservatório do Xingu.
Entre os defensores da obra está a chefia da Empresa de Pesquisa Energética. Segundo a empresa, a Usina de Belo Monte gerará um investimento 19 vezes maior do que o orçamento atual do estado do Pará. A EPE defende a proposta das obras que, segundo estudos, atingirá um terço da área original a ser alagada.
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